domingo, 12 de setembro de 2010

Xenofobia na França

Com a popularidade em queda devido a uma controvertida proposta de reforma da Previdência, a um escândalo de financiamento de campanha e à dificuldade de reerguer o país da crise econômica, o presidente Nicolas Sarkozy lançou mão de uma série de iniciativas populistas e xenófobas para ganhar apoio do cada vez mais conservador eleitorado francês.
De maneira ruidosa, o governo acelerou um processo de "expulsão voluntária" de ciganos -mediante pagamentos de 100 a 300- após ligá-los a uma escalada de violência contra policiais.
Em projeto de lei a ser submetido à Assembleia Nacional no próximo dia 27 deste mês, Sarkozy proporá que estrangeiros naturalizados percam a cidadania francesa caso cometam crimes contra agentes da polícia.
Essas iniciativas se somam à lei, à espera da aprovação do Senado, que proibirá o uso em público da burca, a vestimenta islâmica que cobre o corpo das mulheres.
A ofensiva de Sarkozy encontra eco no eleitorado -79% dos franceses apoiam a expulsão dos ciganos e 80% concordam com a proposta de cassar a nacionalidade.
Indiferentes aos direitos dos estrangeiros que vivem no país, os franceses e seu governo se sensibilizam com a situação da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada a morrer por apedrejamento em sentença por ora suspensa. A primeira-dama Carla Bruni se manifestou contra a crueldade da pena imposta a Sakineh, mas seu "radicalismo chique" não foi ao ponto de levá-la a discordar das iniciativas xenófobas do marido.
A França não está só. A discriminação é plataforma de governo também na Itália, onde o premiê Silvio Berlusconi promove leis para criminalizar a imigração ilegal, e na Suíça, que proibiu a construção de minaretes islâmicos.
A história já mostrou que a exploração populista do nacionalismo xenófobo pode trazer consequências desastrosas para os países que trilham esse caminho.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1209201002.htm

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