EMÍLIO ODEBRECHT
O Brasil não pode continuar sendo um país campeão na exportação de commodities. É um título que não honra quem tem condições de ocupar uma posição relevante no comércio internacional.
A venda ao exterior de bens primários e semimanufaturados, como soja, grãos, sucos, minérios, café, carnes, couro, madeira e cacau, tem sido de enorme importância para a economia nacional. Mas precisamos avançar, nos capacitando para agregar valor ao que produzimos, o que exige uma qualificação que ainda não temos.
Os governos do presidente Fernando Henrique Cardoso e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficarão marcados pela concentração em algumas prioridades.
Fernando Henrique trabalhou, dentre outros assuntos, pela melhoria da educação e diminuição dos desníveis sociais, pela consolidação da democracia, pela modernização do Estado e pela estabilização da economia.
O presidente Lula deixará o seu mandato com o reconhecimento de que preservou os princípios e deu continuidade aos programas que asseguraram a estabilidade econômica, investiu com ênfase e obteve êxito na redução da desigualdade social.
Lula também realizou empreendimentos de base para o crescimento sustentável, particularmente na área de energia, estimulou a formação de empresas brasileiras com porte e competência de campeãs mundiais e restabeleceu e consolidou a confiança dos investidores, tanto nacionais quanto internacionais.
Ao próximo governo caberá, dentre inúmeros outros desafios, inserir o Brasil, definitivamente, no mercado global, confirmando nossa vocação de grande país exportador.
Esse esforço começa pelo incremento dos investimentos na educação, ampliando o ensino técnico, para que tenhamos gente qualificada, capaz de atender a padrões mundiais de competitividade.
É imperativo o fomento ao desenvolvimento tecnológico, que nos permitirá produzir mais e melhor que os concorrentes estrangeiros e ter aumento da participação de produtos de alta tecnologia em nossa pauta de exportações.
O tamanho deste desafio impõe também a ampliação e melhoria de nossa malha de estradas, ferrovias, portos e aeroportos, e é indispensável que alcancemos um nível de poupança interna que viabilize e sustente financiamentos de longo prazo, com taxas de juros equivalentes às do primeiro mundo.
Esse é, a meu ver, o eixo que deve orientar o rumo do próximo mandato presidencial para que o Brasil, tornando-se um país competitivo, dê um novo salto de qualidade no rumo do futuro.
EMÍLIO ODEBRECHT escreve aos domingos nesta coluna.
emilioodebrecht@uol.com.br
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1209201006.htm
domingo, 12 de setembro de 2010
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