ELIANE CANTANHÊDE
BRASÍLIA - Com a eleição caminhando para um desfecho já no primeiro turno, Dilma Rousseff precisa explicitar o que pretende fazer no seu governo e se irá ou não implementar o tal "projeto político" do PT alardeado por José Dirceu.
A campanha de Dilma entregou ao TSE um programa "hard" pela manhã, se arrependeu e trocou por um programa "light" à tarde. Seria um dos dois o projeto a que Dirceu se refere? Não se sabe, como não se sabe quais são as reais intenções de Dilma e até onde ela irá com a ame-aça de "controle social" da mídia.
Numa livre tradução, Dirceu disse que agora, sim, o PT vai mandar, fazer e acontecer. Deixou claro que Lula e sua imensa popularidade foram só um meio para chegar a um fim, como se esses oito anos fossem um aquecimento para a implantação do projeto real. Ok. Mas qual é ele? Por que ninguém pode falar? E por que nós não podemos saber?
Caso Dilma seja eleita, terá os ventos a favor na economia, o Congresso às suas ordens e poderá usar e abusar de seus poderes, baixando o centralismo democrático para (ou contra) a imprensa, a área militar e os costumes. Bem faria se deixasse bem claro quais são os seus planos.
Também não está claro como tratará a questão ética. Ou será que está? Sob Lula, houve quatro escândalos no coração do poder: depois de Waldomiro achacando bicheiro, o primeiro ministro foi parar no STF como "chefe de quadrilha", a segunda patrocinou dossiê contra ex-presidente e a terceira montou um time caseiro de craques em cobrar "taxa de êxito" de empresários.
O passado condena, sem haver compromissos para o futuro. Qual será o padrão ético do novo governo? O que o PT na oposição pregou contra Collor ou o que o PT no poder praticou com suas Erenices?
Após a eleição, bandeiras e programas vão para o lixo. A melhor pista do que vai sobrar é a de Dirceu: vem aí o "projeto político" do PT, seja lá o que isso signifique. Depois ninguém entende por que boa fatia do eleitorado está tão tiririca.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1909201004.htm
Folha de São Paulo
domingo, 19 de setembro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
Foco nas exportações
EMÍLIO ODEBRECHT
O Brasil não pode continuar sendo um país campeão na exportação de commodities. É um título que não honra quem tem condições de ocupar uma posição relevante no comércio internacional.
A venda ao exterior de bens primários e semimanufaturados, como soja, grãos, sucos, minérios, café, carnes, couro, madeira e cacau, tem sido de enorme importância para a economia nacional. Mas precisamos avançar, nos capacitando para agregar valor ao que produzimos, o que exige uma qualificação que ainda não temos.
Os governos do presidente Fernando Henrique Cardoso e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficarão marcados pela concentração em algumas prioridades.
Fernando Henrique trabalhou, dentre outros assuntos, pela melhoria da educação e diminuição dos desníveis sociais, pela consolidação da democracia, pela modernização do Estado e pela estabilização da economia.
O presidente Lula deixará o seu mandato com o reconhecimento de que preservou os princípios e deu continuidade aos programas que asseguraram a estabilidade econômica, investiu com ênfase e obteve êxito na redução da desigualdade social.
Lula também realizou empreendimentos de base para o crescimento sustentável, particularmente na área de energia, estimulou a formação de empresas brasileiras com porte e competência de campeãs mundiais e restabeleceu e consolidou a confiança dos investidores, tanto nacionais quanto internacionais.
Ao próximo governo caberá, dentre inúmeros outros desafios, inserir o Brasil, definitivamente, no mercado global, confirmando nossa vocação de grande país exportador.
Esse esforço começa pelo incremento dos investimentos na educação, ampliando o ensino técnico, para que tenhamos gente qualificada, capaz de atender a padrões mundiais de competitividade.
É imperativo o fomento ao desenvolvimento tecnológico, que nos permitirá produzir mais e melhor que os concorrentes estrangeiros e ter aumento da participação de produtos de alta tecnologia em nossa pauta de exportações.
O tamanho deste desafio impõe também a ampliação e melhoria de nossa malha de estradas, ferrovias, portos e aeroportos, e é indispensável que alcancemos um nível de poupança interna que viabilize e sustente financiamentos de longo prazo, com taxas de juros equivalentes às do primeiro mundo.
Esse é, a meu ver, o eixo que deve orientar o rumo do próximo mandato presidencial para que o Brasil, tornando-se um país competitivo, dê um novo salto de qualidade no rumo do futuro.
EMÍLIO ODEBRECHT escreve aos domingos nesta coluna.
emilioodebrecht@uol.com.br
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1209201006.htm
O Brasil não pode continuar sendo um país campeão na exportação de commodities. É um título que não honra quem tem condições de ocupar uma posição relevante no comércio internacional.
A venda ao exterior de bens primários e semimanufaturados, como soja, grãos, sucos, minérios, café, carnes, couro, madeira e cacau, tem sido de enorme importância para a economia nacional. Mas precisamos avançar, nos capacitando para agregar valor ao que produzimos, o que exige uma qualificação que ainda não temos.
Os governos do presidente Fernando Henrique Cardoso e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficarão marcados pela concentração em algumas prioridades.
Fernando Henrique trabalhou, dentre outros assuntos, pela melhoria da educação e diminuição dos desníveis sociais, pela consolidação da democracia, pela modernização do Estado e pela estabilização da economia.
O presidente Lula deixará o seu mandato com o reconhecimento de que preservou os princípios e deu continuidade aos programas que asseguraram a estabilidade econômica, investiu com ênfase e obteve êxito na redução da desigualdade social.
Lula também realizou empreendimentos de base para o crescimento sustentável, particularmente na área de energia, estimulou a formação de empresas brasileiras com porte e competência de campeãs mundiais e restabeleceu e consolidou a confiança dos investidores, tanto nacionais quanto internacionais.
Ao próximo governo caberá, dentre inúmeros outros desafios, inserir o Brasil, definitivamente, no mercado global, confirmando nossa vocação de grande país exportador.
Esse esforço começa pelo incremento dos investimentos na educação, ampliando o ensino técnico, para que tenhamos gente qualificada, capaz de atender a padrões mundiais de competitividade.
É imperativo o fomento ao desenvolvimento tecnológico, que nos permitirá produzir mais e melhor que os concorrentes estrangeiros e ter aumento da participação de produtos de alta tecnologia em nossa pauta de exportações.
O tamanho deste desafio impõe também a ampliação e melhoria de nossa malha de estradas, ferrovias, portos e aeroportos, e é indispensável que alcancemos um nível de poupança interna que viabilize e sustente financiamentos de longo prazo, com taxas de juros equivalentes às do primeiro mundo.
Esse é, a meu ver, o eixo que deve orientar o rumo do próximo mandato presidencial para que o Brasil, tornando-se um país competitivo, dê um novo salto de qualidade no rumo do futuro.
EMÍLIO ODEBRECHT escreve aos domingos nesta coluna.
emilioodebrecht@uol.com.br
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1209201006.htm
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Magistrado
CARLOS HEITOR CONY
RIO DE JANEIRO - Absoluta legalidade, mas discutível oportunidade. Espera-se de um presidente da República, entre outras qualidades necessárias, que ele seja realmente o primeiro magistrado da nação, com tudo o que implica a noção de um magistrado, ou seja, equidistância nas disputas internas e a consciência de que é presidente em igualdade de condições para todos os cidadãos do país.
Acontece que os presidentes, quando não podem continuar no poder por dispositivo constitucional ou por esvaziamento político, assumem como ponto de honra a obrigação de fazer o sucessor.
Em alguns casos engolem os seus sapos, como Juscelino Kubitschek engoliu a candidatura do marechal Lott e perdeu para Jânio Quadros. O próprio FHC não conseguiu emplacar o seu correligionário e passou a faixa presidencial para Lula. Coisas.
Não se pode negar a um político, mesmo na condição de presidente, o direito de ter o seu partido, o seu candidato, o interesse na continuação administrativa de seu governo. Seria esse o caso de Lula. Como petista categorizado, apoiaria a companheira de partido e de governo. Acontece que o apoio de Lula a Dilma transcendeu ao simples apoio político e passou a ser eminentemente eleitoral.
Inclusive entrando nas brigas e nas fofocas da campanha. Com sua retumbante taxa de aprovação popular, ele se sente à vontade para, nos palanques e na televisão, na condição de simples cidadão, não apenas exaltar as qualidades de sua candidata mas entrar na briga de foice da campanha, como se fosse um cabo eleitoral sem outro compromisso que não o da vitória acima de tudo.
Acho que ganhará mais uma vez a disputa em que se meteu. Mas estranho e lamento sua intervenção espalhafatosa na atual campanha eleitoral.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1209201005.htm
RIO DE JANEIRO - Absoluta legalidade, mas discutível oportunidade. Espera-se de um presidente da República, entre outras qualidades necessárias, que ele seja realmente o primeiro magistrado da nação, com tudo o que implica a noção de um magistrado, ou seja, equidistância nas disputas internas e a consciência de que é presidente em igualdade de condições para todos os cidadãos do país.
Acontece que os presidentes, quando não podem continuar no poder por dispositivo constitucional ou por esvaziamento político, assumem como ponto de honra a obrigação de fazer o sucessor.
Em alguns casos engolem os seus sapos, como Juscelino Kubitschek engoliu a candidatura do marechal Lott e perdeu para Jânio Quadros. O próprio FHC não conseguiu emplacar o seu correligionário e passou a faixa presidencial para Lula. Coisas.
Não se pode negar a um político, mesmo na condição de presidente, o direito de ter o seu partido, o seu candidato, o interesse na continuação administrativa de seu governo. Seria esse o caso de Lula. Como petista categorizado, apoiaria a companheira de partido e de governo. Acontece que o apoio de Lula a Dilma transcendeu ao simples apoio político e passou a ser eminentemente eleitoral.
Inclusive entrando nas brigas e nas fofocas da campanha. Com sua retumbante taxa de aprovação popular, ele se sente à vontade para, nos palanques e na televisão, na condição de simples cidadão, não apenas exaltar as qualidades de sua candidata mas entrar na briga de foice da campanha, como se fosse um cabo eleitoral sem outro compromisso que não o da vitória acima de tudo.
Acho que ganhará mais uma vez a disputa em que se meteu. Mas estranho e lamento sua intervenção espalhafatosa na atual campanha eleitoral.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1209201005.htm
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Xenofobia na França
Com a popularidade em queda devido a uma controvertida proposta de reforma da Previdência, a um escândalo de financiamento de campanha e à dificuldade de reerguer o país da crise econômica, o presidente Nicolas Sarkozy lançou mão de uma série de iniciativas populistas e xenófobas para ganhar apoio do cada vez mais conservador eleitorado francês.
De maneira ruidosa, o governo acelerou um processo de "expulsão voluntária" de ciganos -mediante pagamentos de 100 a 300- após ligá-los a uma escalada de violência contra policiais.
Em projeto de lei a ser submetido à Assembleia Nacional no próximo dia 27 deste mês, Sarkozy proporá que estrangeiros naturalizados percam a cidadania francesa caso cometam crimes contra agentes da polícia.
Essas iniciativas se somam à lei, à espera da aprovação do Senado, que proibirá o uso em público da burca, a vestimenta islâmica que cobre o corpo das mulheres.
A ofensiva de Sarkozy encontra eco no eleitorado -79% dos franceses apoiam a expulsão dos ciganos e 80% concordam com a proposta de cassar a nacionalidade.
Indiferentes aos direitos dos estrangeiros que vivem no país, os franceses e seu governo se sensibilizam com a situação da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada a morrer por apedrejamento em sentença por ora suspensa. A primeira-dama Carla Bruni se manifestou contra a crueldade da pena imposta a Sakineh, mas seu "radicalismo chique" não foi ao ponto de levá-la a discordar das iniciativas xenófobas do marido.
A França não está só. A discriminação é plataforma de governo também na Itália, onde o premiê Silvio Berlusconi promove leis para criminalizar a imigração ilegal, e na Suíça, que proibiu a construção de minaretes islâmicos.
A história já mostrou que a exploração populista do nacionalismo xenófobo pode trazer consequências desastrosas para os países que trilham esse caminho.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1209201002.htm
De maneira ruidosa, o governo acelerou um processo de "expulsão voluntária" de ciganos -mediante pagamentos de 100 a 300- após ligá-los a uma escalada de violência contra policiais.
Em projeto de lei a ser submetido à Assembleia Nacional no próximo dia 27 deste mês, Sarkozy proporá que estrangeiros naturalizados percam a cidadania francesa caso cometam crimes contra agentes da polícia.
Essas iniciativas se somam à lei, à espera da aprovação do Senado, que proibirá o uso em público da burca, a vestimenta islâmica que cobre o corpo das mulheres.
A ofensiva de Sarkozy encontra eco no eleitorado -79% dos franceses apoiam a expulsão dos ciganos e 80% concordam com a proposta de cassar a nacionalidade.
Indiferentes aos direitos dos estrangeiros que vivem no país, os franceses e seu governo se sensibilizam com a situação da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada a morrer por apedrejamento em sentença por ora suspensa. A primeira-dama Carla Bruni se manifestou contra a crueldade da pena imposta a Sakineh, mas seu "radicalismo chique" não foi ao ponto de levá-la a discordar das iniciativas xenófobas do marido.
A França não está só. A discriminação é plataforma de governo também na Itália, onde o premiê Silvio Berlusconi promove leis para criminalizar a imigração ilegal, e na Suíça, que proibiu a construção de minaretes islâmicos.
A história já mostrou que a exploração populista do nacionalismo xenófobo pode trazer consequências desastrosas para os países que trilham esse caminho.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1209201002.htm
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domingo, 29 de agosto de 2010
Temer omite de declaração ao TSE imóvel de R$ 2,2 mi
Temer omite de declaração ao TSE imóvel de R$ 2,2 mi
Vice de Dilma diz que omissão na eleição de 2006 se deve a "erro de digitação'
Presidente da Câmara havia atribuído variação patrimonial de 118% em quatro anos a honorário recebido como advogado
RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA
Vice na chapa da presidenciável petista Dilma Rousseff, Michel Temer (PMDB-SP) omitiu um imóvel de R$ 2,2 milhões na declaração de bens que entregou à Justiça Eleitoral no ato de registro de sua candidatura, nas eleições de 2006.
A omissão foi reconhecida por Temer quando a Folha buscou detalhes de uma explicação que ele havia dado a jornalistas sobre a evolução de seu patrimônio nos últimos quatro anos.
Em julho, assim que Temer entregou sua relação de bens ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a imprensa notou que o patrimônio do deputado e presidente da Câmara havia crescido 118,8% entre 2006 e 2010, em valores já corrigidos pelo IPCA.
O patrimônio passou de R$ 2,29 milhões, em 2006, para R$ 6,05 milhões, em 2010.
Procurado então por jornalistas, o deputado distribuiu, por meio de sua assessoria, uma informação que agora se revela inverídica.
Na ocasião, assessores do deputado afirmaram que o crescimento se devia ao recebimento de honorários advocatícios relacionados a uma causa que Temer, como advogado, havia conduzido ainda nos anos 70.
A explicação foi divulgada pela imprensa e na internet -incluindo a Folha, na edição de 6 de julho passado.
No dia 5, o portal da internet IG ressaltou a explicação de Temer: "A assessoria ainda disse que a evolução patrimonial de Temer se deu devido a honorários advocatícios que ele recebeu de uma ação da década de 1970 e que só teve sua decisão final dada recentemente".
Ao longo dos últimos 30 dias, a Folha quis saber de Temer qual era o cliente da causa milionária. A assessoria do deputado não dirimiu a dúvida, mas reafirmou a primeira versão sobre os honorários, que teriam sido recentemente recebidos.
A reportagem não encontrou, nos registros da Justiça paulista, nenhuma causa milionária ganha por Temer e, por isso, voltou a indagar a assessoria. A dúvida não foi esclarecida novamente.
Na última segunda-feira, questionado em São Paulo, o deputado apresentou uma nova versão que desmente explicação dos honorários.
Ele disse que, por um "erro de digitação", não foi declarada, em 2006, a propriedade de imóveis na região do Itaim Bibi, bairro nobre de SP.
A omissão do imóvel, disse Temer, teria levado à conclusão de que seu patrimônio evoluiu. Para ele, o crescimento foi "de 5%".
Na declaração entregue neste ano ao TSE, Temer afirmou possuir R$ 2,2 milhões relativos a 4% dos "direitos de aquisição sobre imóveis à rua Aspácia [na verdade, rua Aspásia], rua Iguatemi e rua Tabapuã", na cidade de São Paulo.
Tal imóvel não constou da declaração de 2006, com a qual ele registrou sua candidatura e se elegeu deputado.
Em casos semelhantes, o Ministério Público tem visto crime eleitoral, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral ("omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais").
A Justiça Eleitoral, contudo, tem sido tolerante, sob alegação de que as omissões não têm impacto na disputa eleitoral. O imóvel de R$ 2,2 milhões continuava, até a última quinta-feira, fora da declaração de 2006, o que indica que Temer não retificou a informação até aquela data.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2908201002.htm
Vice de Dilma diz que omissão na eleição de 2006 se deve a "erro de digitação'
Presidente da Câmara havia atribuído variação patrimonial de 118% em quatro anos a honorário recebido como advogado
RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA
Vice na chapa da presidenciável petista Dilma Rousseff, Michel Temer (PMDB-SP) omitiu um imóvel de R$ 2,2 milhões na declaração de bens que entregou à Justiça Eleitoral no ato de registro de sua candidatura, nas eleições de 2006.
A omissão foi reconhecida por Temer quando a Folha buscou detalhes de uma explicação que ele havia dado a jornalistas sobre a evolução de seu patrimônio nos últimos quatro anos.
Em julho, assim que Temer entregou sua relação de bens ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a imprensa notou que o patrimônio do deputado e presidente da Câmara havia crescido 118,8% entre 2006 e 2010, em valores já corrigidos pelo IPCA.
O patrimônio passou de R$ 2,29 milhões, em 2006, para R$ 6,05 milhões, em 2010.
Procurado então por jornalistas, o deputado distribuiu, por meio de sua assessoria, uma informação que agora se revela inverídica.
Na ocasião, assessores do deputado afirmaram que o crescimento se devia ao recebimento de honorários advocatícios relacionados a uma causa que Temer, como advogado, havia conduzido ainda nos anos 70.
A explicação foi divulgada pela imprensa e na internet -incluindo a Folha, na edição de 6 de julho passado.
No dia 5, o portal da internet IG ressaltou a explicação de Temer: "A assessoria ainda disse que a evolução patrimonial de Temer se deu devido a honorários advocatícios que ele recebeu de uma ação da década de 1970 e que só teve sua decisão final dada recentemente".
Ao longo dos últimos 30 dias, a Folha quis saber de Temer qual era o cliente da causa milionária. A assessoria do deputado não dirimiu a dúvida, mas reafirmou a primeira versão sobre os honorários, que teriam sido recentemente recebidos.
A reportagem não encontrou, nos registros da Justiça paulista, nenhuma causa milionária ganha por Temer e, por isso, voltou a indagar a assessoria. A dúvida não foi esclarecida novamente.
Na última segunda-feira, questionado em São Paulo, o deputado apresentou uma nova versão que desmente explicação dos honorários.
Ele disse que, por um "erro de digitação", não foi declarada, em 2006, a propriedade de imóveis na região do Itaim Bibi, bairro nobre de SP.
A omissão do imóvel, disse Temer, teria levado à conclusão de que seu patrimônio evoluiu. Para ele, o crescimento foi "de 5%".
Na declaração entregue neste ano ao TSE, Temer afirmou possuir R$ 2,2 milhões relativos a 4% dos "direitos de aquisição sobre imóveis à rua Aspácia [na verdade, rua Aspásia], rua Iguatemi e rua Tabapuã", na cidade de São Paulo.
Tal imóvel não constou da declaração de 2006, com a qual ele registrou sua candidatura e se elegeu deputado.
Em casos semelhantes, o Ministério Público tem visto crime eleitoral, previsto no artigo 350 do Código Eleitoral ("omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais").
A Justiça Eleitoral, contudo, tem sido tolerante, sob alegação de que as omissões não têm impacto na disputa eleitoral. O imóvel de R$ 2,2 milhões continuava, até a última quinta-feira, fora da declaração de 2006, o que indica que Temer não retificou a informação até aquela data.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2908201002.htm
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domingo, 30 de maio de 2010
PF avaliza visão de Serra sobre Bolívia
Itamaraty enviou relatório à Câmara que revela crescimento na produção de cocaína sob a gestão de Morales
Aumento é resultado de política que combate o tráfico, mas valoriza a produção da folha de coca, afirma ministério
JOSIAS DE SOUZA
DE BRASÍLIA
Documentos oficiais produzidos pelo governo durante a gestão do presidente Lula reforçam a acusação de José Serra (PSDB) contra o governo da Bolívia.
O pré-candidato acusou o governo boliviano, na última quarta-feira, de ser "cúmplice" dos traficantes que enviam cocaína para o Brasil. Em reação, a rival petista Dilma Rousseff disse que Serra "demoniza" a Bolívia.
Dados colecionados pelo governo, porém, avalizam a versão do tucano.
Sob condição de anonimato, uma autoridade da Divisão de Controle de Produtos Químicos da Polícia Federal falou à Folha que, segundo relatórios oficiais da PF, 80% da cocaína distribuída no país vem da Bolívia -a maior parte na forma de "pasta". O refino é feito no Brasil.
Para a PF, a evolução do tráfico revela que há "leniência" do país vizinho. Serra usara uma expressão análoga: "corpo mole".
A PF atribui o fenômeno a aspectos culturais, pois o cultivo da folha de coca é legal na Bolívia. O produto é usado de rituais indígenas à produção de medicamentos. Seu excedente abastece o tráfico.
ITAMARATY
Num documento endereçado à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, em 2007, o Itamaraty disse que, "entre 2005 e 2006, a área de produção de folha de coca na Bolívia cresceu de 24.400 para 27.500 hectares".
Também informa que, sob o governo de Evo Morales, adotou-se tanto uma política de combate ao narcotráfico quanto de "valorização" da folha de coca.
Segundo o Itamaraty, uma delegação de brasileiros e chilenos foi à Bolívia, em junho de 2007, para reunião com autoridades locais. "Sem resultado", diz o texto.
Sob Lula, realizou-se um esforço para reativar, sem sucesso, as comissões mistas antidrogas Brasil-Bolívia.
Em setembro de 2008, o Itamaraty enviou à Câmara uma atualização do relatório assinado pelo chanceler Celso Amorim. No tópico sobre drogas, ele afirma que a ONU "divulgou relatório que indica aumento na produção de coca na Bolívia pelo quinto ano consecutivo".
Em outubro de 2008, Morales expulsou da Bolívia cerca de 20 agentes do departamento antidrogas dos EUA que ajudavam no combate ao tráfico. O pretexto foi a acusação de que a DEA (agência americana antidrogas) realizava espionagem.
A Bolívia firmaria, dois meses depois, um acordo com o Brasil, segundo o qual a PF passaria a atuar na Bolívia no combate ao tráfico de cocaína e armas. Diz a PF que o acordo esbarra até hoje em entraves financeiros. La Paz deseja que Brasília arque com os custos.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po3005201008.htm
Aumento é resultado de política que combate o tráfico, mas valoriza a produção da folha de coca, afirma ministério
JOSIAS DE SOUZA
DE BRASÍLIA
Documentos oficiais produzidos pelo governo durante a gestão do presidente Lula reforçam a acusação de José Serra (PSDB) contra o governo da Bolívia.
O pré-candidato acusou o governo boliviano, na última quarta-feira, de ser "cúmplice" dos traficantes que enviam cocaína para o Brasil. Em reação, a rival petista Dilma Rousseff disse que Serra "demoniza" a Bolívia.
Dados colecionados pelo governo, porém, avalizam a versão do tucano.
Sob condição de anonimato, uma autoridade da Divisão de Controle de Produtos Químicos da Polícia Federal falou à Folha que, segundo relatórios oficiais da PF, 80% da cocaína distribuída no país vem da Bolívia -a maior parte na forma de "pasta". O refino é feito no Brasil.
Para a PF, a evolução do tráfico revela que há "leniência" do país vizinho. Serra usara uma expressão análoga: "corpo mole".
A PF atribui o fenômeno a aspectos culturais, pois o cultivo da folha de coca é legal na Bolívia. O produto é usado de rituais indígenas à produção de medicamentos. Seu excedente abastece o tráfico.
ITAMARATY
Num documento endereçado à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, em 2007, o Itamaraty disse que, "entre 2005 e 2006, a área de produção de folha de coca na Bolívia cresceu de 24.400 para 27.500 hectares".
Também informa que, sob o governo de Evo Morales, adotou-se tanto uma política de combate ao narcotráfico quanto de "valorização" da folha de coca.
Segundo o Itamaraty, uma delegação de brasileiros e chilenos foi à Bolívia, em junho de 2007, para reunião com autoridades locais. "Sem resultado", diz o texto.
Sob Lula, realizou-se um esforço para reativar, sem sucesso, as comissões mistas antidrogas Brasil-Bolívia.
Em setembro de 2008, o Itamaraty enviou à Câmara uma atualização do relatório assinado pelo chanceler Celso Amorim. No tópico sobre drogas, ele afirma que a ONU "divulgou relatório que indica aumento na produção de coca na Bolívia pelo quinto ano consecutivo".
Em outubro de 2008, Morales expulsou da Bolívia cerca de 20 agentes do departamento antidrogas dos EUA que ajudavam no combate ao tráfico. O pretexto foi a acusação de que a DEA (agência americana antidrogas) realizava espionagem.
A Bolívia firmaria, dois meses depois, um acordo com o Brasil, segundo o qual a PF passaria a atuar na Bolívia no combate ao tráfico de cocaína e armas. Diz a PF que o acordo esbarra até hoje em entraves financeiros. La Paz deseja que Brasília arque com os custos.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po3005201008.htm
terça-feira, 11 de maio de 2010
Socuerro! Dunga afoga o Ganso!
JOSÉ SIMÃO
Deputados argentinos aprovam o casamento gay. Ou casa com gay ou com argentino. Rarará!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
E sabe por que o Dunga não toma Viagra? Porque já tem a cabeça dura! Rarará! E em Clevelândia, no Pará, tem uma farmácia que vende Vick Vaporub por dedada. Cada dedada custa R$ 0,50!
E deputados argentinos aprovam o casamento gay. Agora pode escolher: ou casa com gay ou com argentino. Rarará! E o Dunga tá ferrado! Povo quer Ganso na Copa. Pra fazer dupla com o Pato! Seleção Animal do Dunga: Pato e Ganso. MULA, Pato e Ganso! Vamos enriquecer a vida selvagem africana. DUNGA WILDLIFE! Avecídio na Copa: come o pato e afoga o ganso!
E o álbum da Copa? Eu já falei que os argentinos têm que colar tudo de cabeça pra baixo! E eu não consigo completar o Paraguai. Vou completar com figurinha pirata. Acho que vou pedir algumas pro Tuma Jr. Rarará! E sabe qual é a figurinha 171? Um jogador grego! E um leitor me disse que o Serra tá parecendo um joelho de gravata!
E o ônibus da seleção na Copa? Agora os torcedores podem sugerir frases pra pintar no ônibus. Oba! O Eramos6 já sugeriu varias: 1) Neymar e Ganso estão aqui dentro; 2) De pensar morreu um dunga; 3) Pelé, não torça pela gente, ok?; 4) Dunga não poderá vir, mandou o Felipão no lugar!; e finalmente: "Ei, Messi, vá tomar no C#". Rarará!
E sabe aquele novo aparelho que os americanos botaram nos aeroportos? SCANNER! Pois é: "Scanner mostra tamanho de pênis e americano vira motivo de piada". Pra combater o terrorismo, eles fazem terrorismo com os colegas! Rarará! Sessão do Tribunal de Justiça de Pernambuco presidida pelo desembargador Augusto Duque. Processo de estupro. Entre as testemunhas, uma irmã da vítima. E o desembargador: "Que entre a arrolada". "Doutor, a arrolada não foi eu não. A arrolada é a minha irmã." Rarará!. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Prata, Minas, tem um motel chamado TÔ Q TÔ! Ueba! Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Zorba, o grego": Deus da Cueca! Que vai salvar a Grécia. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
simao@uol.com.br
Deputados argentinos aprovam o casamento gay. Ou casa com gay ou com argentino. Rarará!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
E sabe por que o Dunga não toma Viagra? Porque já tem a cabeça dura! Rarará! E em Clevelândia, no Pará, tem uma farmácia que vende Vick Vaporub por dedada. Cada dedada custa R$ 0,50!
E deputados argentinos aprovam o casamento gay. Agora pode escolher: ou casa com gay ou com argentino. Rarará! E o Dunga tá ferrado! Povo quer Ganso na Copa. Pra fazer dupla com o Pato! Seleção Animal do Dunga: Pato e Ganso. MULA, Pato e Ganso! Vamos enriquecer a vida selvagem africana. DUNGA WILDLIFE! Avecídio na Copa: come o pato e afoga o ganso!
E o álbum da Copa? Eu já falei que os argentinos têm que colar tudo de cabeça pra baixo! E eu não consigo completar o Paraguai. Vou completar com figurinha pirata. Acho que vou pedir algumas pro Tuma Jr. Rarará! E sabe qual é a figurinha 171? Um jogador grego! E um leitor me disse que o Serra tá parecendo um joelho de gravata!
E o ônibus da seleção na Copa? Agora os torcedores podem sugerir frases pra pintar no ônibus. Oba! O Eramos6 já sugeriu varias: 1) Neymar e Ganso estão aqui dentro; 2) De pensar morreu um dunga; 3) Pelé, não torça pela gente, ok?; 4) Dunga não poderá vir, mandou o Felipão no lugar!; e finalmente: "Ei, Messi, vá tomar no C#". Rarará!
E sabe aquele novo aparelho que os americanos botaram nos aeroportos? SCANNER! Pois é: "Scanner mostra tamanho de pênis e americano vira motivo de piada". Pra combater o terrorismo, eles fazem terrorismo com os colegas! Rarará! Sessão do Tribunal de Justiça de Pernambuco presidida pelo desembargador Augusto Duque. Processo de estupro. Entre as testemunhas, uma irmã da vítima. E o desembargador: "Que entre a arrolada". "Doutor, a arrolada não foi eu não. A arrolada é a minha irmã." Rarará!. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Prata, Minas, tem um motel chamado TÔ Q TÔ! Ueba! Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Zorba, o grego": Deus da Cueca! Que vai salvar a Grécia. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
simao@uol.com.br
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