domingo, 30 de maio de 2010

PF avaliza visão de Serra sobre Bolívia

Itamaraty enviou relatório à Câmara que revela crescimento na produção de cocaína sob a gestão de Morales

Aumento é resultado de política que combate o tráfico, mas valoriza a produção da folha de coca, afirma ministério

JOSIAS DE SOUZA
DE BRASÍLIA

Documentos oficiais produzidos pelo governo durante a gestão do presidente Lula reforçam a acusação de José Serra (PSDB) contra o governo da Bolívia.
O pré-candidato acusou o governo boliviano, na última quarta-feira, de ser "cúmplice" dos traficantes que enviam cocaína para o Brasil. Em reação, a rival petista Dilma Rousseff disse que Serra "demoniza" a Bolívia.
Dados colecionados pelo governo, porém, avalizam a versão do tucano.
Sob condição de anonimato, uma autoridade da Divisão de Controle de Produtos Químicos da Polícia Federal falou à Folha que, segundo relatórios oficiais da PF, 80% da cocaína distribuída no país vem da Bolívia -a maior parte na forma de "pasta". O refino é feito no Brasil.
Para a PF, a evolução do tráfico revela que há "leniência" do país vizinho. Serra usara uma expressão análoga: "corpo mole".
A PF atribui o fenômeno a aspectos culturais, pois o cultivo da folha de coca é legal na Bolívia. O produto é usado de rituais indígenas à produção de medicamentos. Seu excedente abastece o tráfico.

ITAMARATY
Num documento endereçado à Comissão de Relações Exteriores da Câmara, em 2007, o Itamaraty disse que, "entre 2005 e 2006, a área de produção de folha de coca na Bolívia cresceu de 24.400 para 27.500 hectares".
Também informa que, sob o governo de Evo Morales, adotou-se tanto uma política de combate ao narcotráfico quanto de "valorização" da folha de coca.
Segundo o Itamaraty, uma delegação de brasileiros e chilenos foi à Bolívia, em junho de 2007, para reunião com autoridades locais. "Sem resultado", diz o texto.
Sob Lula, realizou-se um esforço para reativar, sem sucesso, as comissões mistas antidrogas Brasil-Bolívia.
Em setembro de 2008, o Itamaraty enviou à Câmara uma atualização do relatório assinado pelo chanceler Celso Amorim. No tópico sobre drogas, ele afirma que a ONU "divulgou relatório que indica aumento na produção de coca na Bolívia pelo quinto ano consecutivo".
Em outubro de 2008, Morales expulsou da Bolívia cerca de 20 agentes do departamento antidrogas dos EUA que ajudavam no combate ao tráfico. O pretexto foi a acusação de que a DEA (agência americana antidrogas) realizava espionagem.
A Bolívia firmaria, dois meses depois, um acordo com o Brasil, segundo o qual a PF passaria a atuar na Bolívia no combate ao tráfico de cocaína e armas. Diz a PF que o acordo esbarra até hoje em entraves financeiros. La Paz deseja que Brasília arque com os custos.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po3005201008.htm

terça-feira, 11 de maio de 2010

Socuerro! Dunga afoga o Ganso!

JOSÉ SIMÃO

Deputados argentinos aprovam o casamento gay. Ou casa com gay ou com argentino. Rarará!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
E sabe por que o Dunga não toma Viagra? Porque já tem a cabeça dura! Rarará! E em Clevelândia, no Pará, tem uma farmácia que vende Vick Vaporub por dedada. Cada dedada custa R$ 0,50!
E deputados argentinos aprovam o casamento gay. Agora pode escolher: ou casa com gay ou com argentino. Rarará! E o Dunga tá ferrado! Povo quer Ganso na Copa. Pra fazer dupla com o Pato! Seleção Animal do Dunga: Pato e Ganso. MULA, Pato e Ganso! Vamos enriquecer a vida selvagem africana. DUNGA WILDLIFE! Avecídio na Copa: come o pato e afoga o ganso!
E o álbum da Copa? Eu já falei que os argentinos têm que colar tudo de cabeça pra baixo! E eu não consigo completar o Paraguai. Vou completar com figurinha pirata. Acho que vou pedir algumas pro Tuma Jr. Rarará! E sabe qual é a figurinha 171? Um jogador grego! E um leitor me disse que o Serra tá parecendo um joelho de gravata!
E o ônibus da seleção na Copa? Agora os torcedores podem sugerir frases pra pintar no ônibus. Oba! O Eramos6 já sugeriu varias: 1) Neymar e Ganso estão aqui dentro; 2) De pensar morreu um dunga; 3) Pelé, não torça pela gente, ok?; 4) Dunga não poderá vir, mandou o Felipão no lugar!; e finalmente: "Ei, Messi, vá tomar no C#". Rarará!
E sabe aquele novo aparelho que os americanos botaram nos aeroportos? SCANNER! Pois é: "Scanner mostra tamanho de pênis e americano vira motivo de piada". Pra combater o terrorismo, eles fazem terrorismo com os colegas! Rarará! Sessão do Tribunal de Justiça de Pernambuco presidida pelo desembargador Augusto Duque. Processo de estupro. Entre as testemunhas, uma irmã da vítima. E o desembargador: "Que entre a arrolada". "Doutor, a arrolada não foi eu não. A arrolada é a minha irmã." Rarará!. É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Prata, Minas, tem um motel chamado TÔ Q TÔ! Ueba! Mais direto impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Zorba, o grego": Deus da Cueca! Que vai salvar a Grécia. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

simao@uol.com.br

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tudo menos isso

Contraponto

Tudo menos isso

Arthur Virgílio (PSDB-AM) dava entrevista a uma emissora de televisão quando uma excursão de estudantes vindos do município goiano de Cristalina irrompeu nos corredores do Senado. Diante da câmera, o tucano deixou uma resposta pela metade para brincar com as crianças:
-Vocês são jornalistas ou senadores?
Um menino mais atirado respondeu:
-Eu sou presidente!
-Ah! Então você é José Sarney- devolveu Virgílio.
O menino encerrou o papo:
-O do bigode? Deus me livre!

Piratas e conquistadores

ALDO PEREIRA

Direito autoral deveria constituir não propriedade, mas apenas licença de usufruto econômico exclusivo por certo prazo

NO SÉCULO 16 , países europeus que exploravam riquezas da América reprimiam com rigor a ação de piratas baseados em ilhas e costas continentais do Caribe: execução sumária ou condenação à forca.
À primeira vista, história de mocinhos e bandidos -ou seria de bandidos e bandidos?
Logo após ter descoberto o que supunha ser a Índia, Cristóvão Colombo (1451-1506) estabeleceu modelo de conduta para "los conquistadores": tortura sistemática de nativos para obter deles "segredos" de minas e garimpos de ouro, bem como para escravizá-los na extração e refino do minério. A recalcitrantes, espada civilizadora finamente forjada em Toledo.
De sua parte, a Marinha britânica, ocupada então com tráfico de escravos africanos, comissionou "privateers" (navios corsários) para pirataria seletiva contra galeões espanhóis carregados desse ouro.
Frances Drake (1540-1596) e Henry Morgan (1635-1688), célebres corsários, receberiam pela patriótica missão o título honorífico de "sir".
A distinção entre piratas, conquistadores e corsários continua ambígua. Sem explicitar nomes, o principal executivo da UMG (Universal Music Group) vocifera contra engenhocas do tipo iPod: "Repositórios de música roubada!".
Também se têm visto e ouvido na mídia proclamações de que baixar, copiar ou comprar músicas e programas sem pagar royalties é "pirataria".
Com a forca fora de moda, detentores de "propriedade intelectual" reclamam ao menos cadeia para "piratas".
"Propriedade intelectual" é campo de disputa em que convergem três interesses legítimos e interdependentes, mas conflitantes: 1) o dos autores, sem os quais não teríamos inovação e avanço na cultura; 2) o de firmas como editoras, gravadoras e programadoras, que assumem riscos lotéricos de produção, distribuição e promoção (em média, dos mais de 40 livros que a Random House edita por semana, 35 dão prejuízo ou lucro zero); e 3) o direito público à liberdade de expressão, ao saber e ao cultivo do espírito pela arte.
Sem esse terceiro direito, a vida cultural estagnaria, porque se realimenta do que ela própria produz. Nenhuma criação é absolutamente original, mas produto da tradição cultural do meio em que o autor se forma.
Por isso, direito autoral deveria constituir não propriedade, mas apenas licença de usufruto econômico exclusivo durante certo prazo, como a concedida a patentes. Em criações de pessoa física, tal licença poderia ser vitalícia, embora não hereditária.
O que tem ocorrido, porém, é progressiva usurpação do direito público em favor da "propriedade intelectual", sobretudo corporativa. Isto é, acumulação de privilégios desfrutados por cartéis e outros grupos que em geral os têm obtido pelo suborno sistemático de legisladores e burocratas, prática mais elegantemente referida como lobby ("antessala").
No reinado de Pedro 1º, toda obra literária caía em domínio público dez anos após a publicação. O regime republicano dilatou o privilégio para 50 anos contados do 1º de janeiro subsequente à morte do autor (Lei Medeiros e Albuquerque, nº 496, de 1898). Esse prazo é hoje de 70 anos.
Todas as mudanças legais introduzidas desde 1898 têm ampliado o direito individual e corporativo de exploração econômica das obras à custa de progressiva restrição do domínio público, isto é, em prejuízo da dimensão social da cultura.
A involução legal brasileira reflete a globalização dos mercados da "propriedade intelectual".
Acordos e convenções que conferem direito proprietário de corporações a criações culturais têm sido extorquidos a governantes covardes e/ ou venais do mundo subdesenvolvido, estratégia que se completa pelo citado suborno legislativo. Colonialismo por outros meios.
O abuso é mais nítido na exploração autoral póstuma, onde o Congresso americano, creia, tem-se mostrado ainda mais venal que o brasileiro. Segundo Lawrence Lessig, professor de direito da Universidade Stanford, à medida que o camundongo Mickey envelhece e se arrisca a cair em domínio público, o lobby da Walt Disney obtém mais alguns anos de sobrevida para o respectivo "copyright".
Em 1998, o Congresso dos EUA estendeu a proteção póstuma a 95 anos: no caso de Mickey, até 2061. Lessig enumera 11 extensões semelhantes concedidas nos últimos 40 anos em favor da indústria de som e imagem.
Nesse drama, decerto lhe seria difícil escolher entre o papel de conquistador e o de pirata. Resigne-se, então, ao do submisso e espoliado nativo.
ALDO PEREIRA , 77, é ex-editorialista e colaborador especial da Folha .

E-mail: aldopereira.argumento@uol.com.br .

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Na maior parte do mundo, um celular é o bastante

Aparelho está cada vez mais difundido nos países em desenvolvimento

Por ANAND GIRIDHARADAS

E se o iPad não for o próximo grande acontecimento global? E se o próximo grande acontecimento for pequeno, barato e não americano?
Os EUA entraram recentemente em um frenesi com o lançamento do iPad. Ao mesmo tempo, um futuro diferente parece estar se desenrolando em outras partes do mundo, na tela do telefone celular.
Em meio ao burburinho americano, o florescimento global das inovações no simples celular passou despercebido. Da Índia à Coreia do Norte e até ao Afeganistão, pessoas procuram trabalho usando mensagens de texto; contraem e concedem empréstimos e recebem seus salários por meio de seus celulares e usam os aparelhinhos como televisores e rádios.
E muitos fazem tudo isso gastando pouco. Na Índia, a Reliance Communications vende celulares por menos de US$ 25, oferecendo telefonemas em todo o país por menos de um centavo de dólar por minuto, SMSs por um centavo e nenhuma cobrança mensal -e acumula lucros gordos fazendo isso. Compare-se essa realidade à dos compradores de iPad nos EUA, que pagam US$ 499 pela versão básica, que podem também possuir um computador de mais de US$ 1.000 e um celular inteligente de mais de US$ 100, além de pagar US$ 100 ou mais por mês para conectar esses aparelhos à internet.
Não é a primeira vez em que os EUA e boa parte do mundo se movem por rumos diferentes. Criando para uma rede de banda cada vez mais larga, os inovadores dos EUA tendem a propor aparelhos cada vez mais cheios de detalhes, mais caros e que conferem mais status. Enquanto isso, seus colegas nos países em desenvolvimento estão inovando para encontrar cada vez mais utilizações para telefones celulares básicos e baratos.
Os EUA não compartilham o namoro do mundo com o celular. Um relatório recente do Fórum Econômico Mundial e da escola francesa de administração Insead concluiu que os americanos estão atrás de 71 outros países em seu nível de penetração da telefonia celular, apesar de liderarem em outras áreas de conectividade.
Mas o celular reina do Quênia à Colômbia e à África do Sul -lugares que construíram torres de telefonia celular exatamente para evitar a despesa de lançar as redes conectadas por fios. Em lugares como esses, os celulares estão se tornando a tecnologia verdadeiramente universal.
Segundo a União Internacional de Telecomunicação, uma associação comercial, o número de assinaturas de telefonia celular em todo o mundo deve passar de 5 bilhões neste ano. Isso significará que mais pessoas terão acesso ao celular do que os que têm acesso a banheiros higiênicos, segundo a ONU.
E, pelo fato de alcançar tanta gente, de estar sempre com você, de ser barato e fácil de consertar, o celular abriu uma nova fronteira de inovação global.
A Babajob, em Bangalore (Índia), e a Souktel, nos territórios palestinos, oferecem serviços de busca de empregos via SMS. Na África, o celular está dando origem a um novo paradigma em termos de dinheiro. Cartões tornaram-se o instrumento reinante de pagamento no Ocidente, mas projetos como PesaPal e M- Pesa, no Quênia, estão trabalhando para fazer do celular o instrumento principal das finanças pessoais. Com o M-Pesa, é possível converter dinheiro vivo em dinheiro no celular na quitanda da esquina, e esse dinheiro pode ser transferido a qualquer pessoa com a ajuda de um telefone.
Em muitos lugares, o celular também passou a ocupar lugar central na vida comunitária. Na África, igrejas urbanas gravam sermões com celulares e então os transmitem a vilarejos. No Irã e em Moldova, telefones ajudaram a organizar levantes populares contra governos autoritários. O celular é usado na Índia no monitoramento eleitoral por cidadãos e para transmitir aos eleitores, via SMS, informações sobre a renda e os antecedentes criminais dos candidatos.
Tudo isso sugere a presença de um abismo de inovação entre as sociedades mais ricas e as mais pobres do mundo -não tanto no desenho dos aparelhos quanto no uso que é feito deles, por pessoas que já são consumidoras mas ainda não estão ricas, dotadas de um simples telefone celular e da percepção de que menos é mais.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny1904201004.htm

Por que o choque dos prótons importa?

Por DENNIS OVERBYE

Para aqueles que estão com seus conhecimentos em física meio ultrapassados, as notícias sobre o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), a maior máquina da física no mundo, podem ser intrigantes. Sim, o colisor finalmente promoveu uma colisão de partículas subatômicas, mas por que isso é tão importante? Eis algumas explicações:

Sejamos básicos: o que faz um físico de partículas?
Físicos de partículas têm um só truque, que sempre repetem: esmagar uma coisa contra outra, para ver no que dá.

O que significa dizer que o colisor permitirá que os físicos voltem ao Big Bang? O colisor é uma máquina do tempo?
Os físicos suspeitam que as leis da física evoluíram conforme o universo esfriou de bilhões ou trilhões de graus nos primeiros momentos do Big Bang para as temperaturas superfrígidas de hoje (3° Kelvin) -do mesmo jeito que a água passa de vapor a líquido e a gelo conforme a temperatura diminui. Conforme o universo esfriou, suspeitam os cientistas, tudo se tornou mais complicado. Partículas e forças antes indistinguíveis desenvolveram suas próprias identidades, da mesma forma como o espanhol, o francês e o italiano derivaram do latim original.
Ao fazer partículas subatômicas (prótons) se juntarem numa colisão, os físicos criam pequenas bolas de fogo que revisitam as condições desses tempos primordiais, e veem o que pode ter acontecido então.

O colisor, que fica perto de Genebra, tem 27 km de perímetro. Por que é tão grande?
Einstein nos ensinou que energia e massa são equivalentes. Então, quanto mais energia couber numa bola de fogo, mais massa ela adquire. O colisor tem de ser grande e poderoso o suficiente para acumular enormes quantidades de energia em um próton.
Além disso, quanto mais rápido as partículas viajam, mais difícil fica curvar sua trajetória em um círculo, de modo que elas deem a volta e colidam entre si. O colisor é projetado de forma que os prótons percorram os centros de poderosos eletroímãs do tamanho de troncos de sequoias, o que transforma o trajeto das partículas em círculos, criando uma colisão. Embora os eletroímãs estejam entre os mais poderosos já feitos, eles não ainda não conseguem promover uma curva para os prótons com um raio inferior a 4 km.

O que os físicos esperam ver?
Segundo algumas teorias, itens que jamais foram vistos -por exemplo nomes como gluinos, fotinos, squarks e winos- porque nunca tivemos energia suficiente para criar uma colisão tão grande. Qualquer uma dessas partículas, se elas existirem, pode constituir as nuvens de matéria escura, a qual, segundo os astrônomos, produz a gravidade que mantém as galáxias e outras estruturas cósmicas unidas.
Outro elo perdido da física é uma partícula conhecida como bóson de Higgs, que enche outras partículas de massa ao criar um "melaço cósmico" que as une e lhes confere volume ao viajarem juntas.

Quanta energia é necessária para criar essas bolas de fogo?
No LHC, essa energia é atualmente de 3,5 trilhões de elétrons-volt por próton. É muita energia -é como se um homem de 90 kg inchasse em 300 toneladas.

O que é um elétron-volt?
É a energia que um elétron adquire ao passar do lado positivo para o negativo de uma bateria de um volt. É a unidade básica de energia e massa preferida dos cientistas.

O colisor pode causar um buraco negro capaz de destruir a Terra?
O colisor não fará nada que os raios cósmicos de alta energia já não tenham feito repetidamente na Terra e no resto do universo. Não há evidência de que tais colisões tenham criado buracos negros ou que, se tiverem, os buracos negros tenham causado dano. Segundo até mesmo as variações teóricas mais especulativas a respeito dos buracos negros, o LHC não é tão forte para causar um buraco negro.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny1904201016.htm

O poder das massas

LENTE

Existe um novo elenco de "influentes" na cultura e na política... somos você e eu. Antes, somente a elite, os profissionais e os "insiders" sabiam das coisas. Mas as barreiras tornaram-se muito mais fluidas.
"Hoje, as massas têm um grande acesso à cultura, como nunca antes", disse ao "New York Times" Gabi Asfour, do grupo de design ThreeASFOUR. "E esse acesso é a verdadeira riqueza, de uma maneira que o dinheiro não é. Daqui a dez anos, não haverá uma elite controlando o acesso à cultura, e então as coisas vão mudar incrivelmente depressa."
As coisas já mudaram no exclusivo mundo fashion. Os blogueiros, que são mais rápidos que as revistas para publicar críticas e fotos de desfiles, estão perturbando alguns dos gurus da moda. Durante a Semana da Moda de Nova York, em setembro, Tavi Gevinson, blogueira de 13 anos da Style Rookie, estava sentada na primeira fila dos desfiles de Marc Jacobs e Rodarte. Bryan Boy, um blogueiro das Filipinas, estava sentado perto de Anna Wintour no desfile da D&G em Milão.
Esses infiltradores não estão apenas na primeira fila, mas também atrás das câmeras. Veja D. Sharon Pruitt, 40, que mora em Utah. Depois de passar férias no Havaí, ela enviou suas fotos para o site de compartilhamento de fotos Flickr, como relatou o "Times". A Getty Images percebeu a qualidade de suas fotos e a empresa hoje lhe dá um cheque sempre que editores ou anunciantes compram suas imagens.
A maioria dos amadores se alegra em aceitar qualquer forma de pagamento, tornando mais difícil para os fotógrafos profissionais ganhar a vida. Mas o que é exatamente um profissional hoje em dia, quando todo o mundo é um crítico? Com o Facebook e o Twitter, há um fluxo contínuo de comentários on-line durante programas de TV e eventos como a Olimpíada e o Oscar, em que os espectadores começam conversas com outros que assistem ao mesmo programa.
Essa galeria de críticos permitida pela mídia digital está modificando a televisão. Atualmente, grandes eventos como os Jogos Olímpicos e o Grammy dependem da mídia social para aumentar a audiência e incentivar a discussão. "A internet é nossa amiga, e não inimiga", disse ao "Times" Leslie Moonves, executiva-chefe da CBS Corporation. "As pessoas querem estar ligadas entre si."
O Twitter permite esse tipo de ligação, mesmo com aqueles que podem parecer inatingíveis. Membros do Congresso dos EUA usam Twitter e Facebook para conectar-se com os eleitores, e o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, faz o mesmo, escreveu o "Times".
Shashi Tharoor, membro do Parlamento indiano, causou polêmica com seus tweets questionando as estritas políticas da Índia para conceder vistos turísticos. Tharoor lê quase todos os comentários do Twitter dirigidos a ele e responde pessoalmente a quantos puder, disse seu assessor. Tharoor disse ao "Times": "É uma maneira de envolver as pessoas às quais todos os políticos devem responder em última instância em nosso trabalho".
Muitos da elite poderosa da Índia questionam seu "entusiasmo por uma mídia que diminui a distância entre governadores e governados", escreveu o "Times". Mas, num momento em que o acesso foi virado de ponta-cabeça e está aparentemente democratizado, quem serve a quem hoje é uma noção totalmente nova no culto do amador.
ANITA PATIL


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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/ny1904201002.htm